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v. 23, n. 1 - jan./jun. 2009

Apresentação
Presentation

Caros leitores,Ao planejarmos este número, pretendíamos chamar a atenção dos profissionais de saúde do Estado, professores, estudantes e leitores em geral, para as doenças infecciosas, e especialmente as doenças respiratórias e a Influenza. Mas ...

Editorial
Editorial

Nosso periódico iniciou sua circulação em 1969, sob a direção do Médico Sanitarista Moacyr Scliar. São exatos quarenta anos. Motivo de comemoração. Desde então tem se pautado pela persistência na divulgação de ...

Nota Comemorativa
Commemorative Note

Foi com nostalgia e emoção que recebi a notícia dos 40 anos do Boletim da Saúde. Quatro décadas é um período significativo. Na antiguidade, este era, classicamente, o tempo de uma geração. Hoje a expectativa de vida aumentou, mas os 40 a ...

Doenças Emergentes e Reemergentes no Contexto da Saúde Pública
Emerging and Reemerging Diseases in the Context of Public Health

Autores: Francisco Antônio Z. Paz; Marilina A. Bercini
Doenças emergentes e reemergentes têm-se constituído em um tema importante para a Saúde Pública. Esperava-se que a urbanização e o desenvolvimento, associados ao envelhecimento populacional, resultassem na eliminação ou redução expressiva da carga das doenças infecciosas e parasitárias. Algumas enfermidades foram, de fato, controladas - pelo uso de vacinas, por exemplo - mas outras têm emergido, por fatores relacionados ao modelo de desenvolvimento econômico, a mudanças climáticas e a práticas do próprio setor saúde, entre outros. No presente artigo, discute-se o conceito de doença emergente e reemergente, os fatores associados e os desafios colocados para o seu enfrentamento.
Assuntos: Doenças transmissíveis emergentes; Condições sociais; Fatores socioeconômicos.
Emerging and reemerging diseases have become an important subject for Public Health. It was expected that urbanization and development, combined with population aging, would lead to the elimination or a significant reduction of the burden of infectious and parasitic diseases. In fact, some diseases have been taken under control, e.g., through vaccination. On the other hand, new diseases have emerged as a consequence of factors related to the economical development model, climatic changes, and practices of the health sector itself, among others. In this paper we discuss the concept of emerging and reemerging diseases, the associated factors, and the challenges posed to face them.
Assuntos: Communicable diseases, emerging; Social conditions; Socioeconomic factors

Infecções Virais do Trato Respiratório
Viral Infections of the Respiratory Tract

Autores: Paulo de Tarso Roth Dalcin; Denise Rossato Silva
As infecções agudas do trato respiratório são responsáveis por considerável morbidade e mortalidade em seres humanos. Os vírus contribuem para a maior parte das infecções respiratórias agudas. Uma variedade de vírus está associada com as infecções do trato respiratório, sendo que a maioria deles pertence às famílias Paramyxoviridae, Orthomyxoviridae, Picornaviridae, Adenoviridae e Coronaviridae. Um vírus respiratório pode causar uma variedade de síndromes clínicas. Por outro lado, uma síndrome respiratória pode ser causada por mais de um vírus. A maioria das infecções respiratórias são amenas e auto-limitadas, mas algumas podem acarretar risco de vida. Esta revisão discute a epidemiologia, a transmissão, as manifestações clínicas, o diagnóstico, o tratamento e a prevenção das infecções agudas do trato respiratório.
Assuntos: Infecções respiratórias; Doenças respiratórias; Prevenção de doenças transmissíveis
Acute respiratory tract infections are responsible for considerable morbidity and mortality in humans. Viruses account for the majority of acute respiratory infections. A variety of viruses are associated with respiratory tract infections, with most of them belonging to the families of Paramyxoviridae, Orthomyxoviridae, Picornaviridae, Adenoviridae, and Coronaviridae. A respiratory virus may cause a range of clinical syndromes. Conversely, a respiratory syndrome may be caused by more than one virus. Most respiratory infections are minor and self-limiting, but some may be life-threatening. This review discusses the epidemiology, transmission, clinical manifestations, diagnosis, treatment, and prevention of acute respiratory tract infections.
Assuntos: Respiratory tract infections; Respiratory tract diseases; Communicable disease prevention.

Perfil das Hospitalizações por Doenças Respiratórias no Sistema Único de Saúde em Porto Alegre
A Profile of Hospitalizations Due to Respiratory Diseases at the Public Health Care System in Porto Alegre

Autores: Lizia Maria Meirelles Mota
Este artigo traça um perfil das hospitalizações por doenças respiratórias em Porto Alegre, a partir das internações pelo SUS ocorridas entre julho de 2005 e junho de 2006. De 102.215 internações hospitalares registradas no período, 12.133 (11,87%) foram por causas respiratórias. Do total, 94.218 hospitalizações (92,2%) puderam ser geo-referenciadas pelo endereço de residência do paciente, sendo 11.151 (8,5%) internações por doenças do aparelho respiratório (DAR). As internações por DAR foram a primeira causa de hospitalização, excluídas as associadas a gravidez, parto e puerpério, e apresentaram importante variação sazonal, predominando nos meses de inverno. O tempo médio de hospitalização foi de 6,86 dias e os pacientes, em sua maioria, foram do sexo masculino, com idade média ao redor de 40 anos. Os coeficientes médios de hospitalização foram maiores nas faixas etárias extremas da vida - idosos e menores de um ano - e em residentes das zonas mais periféricas da cidade, habitadas por grupos populacionais menos privilegiados socialmente. Cabe avaliar, a seguir, o quanto deste achado decorre de desigualdade no acesso a serviços públicos e privados entre residentes dos diferentes bairros, e o quanto expressa real desigualdade na morbidade por DAR entre os bairros de Porto Alegre.
Assuntos: Hospitalização; Doenças respiratórias; Condições sociais; Porto Alegre
This article presents a profile of hospitalizations due to respiratory diseases in Porto Alegre. It covers hospitalizations that occurred between July 2005 and June 2006 in the Public Health Care System (SUS). Out of 102,215 SUS hospitalizations recorded in this period, 12,133 (11.87%) were due to Diseases of the Respiratory System (DRS). the whole sample, 94,218 (92.2%) had enough information to be georeferred to the neighborhood of residence of the case. DRS responded for 11,151 (8.5%) of those. As a group, DRSs were the first cause of hospitalization in the period, excluding conditions associated with pregnancy and birth delivery. They showed significant seasonal variation, which increased during the winter. The average time of hospitalization was 6.86 days. Males older than 40 years of age were the main group among the cases. Hospitalization rates were highest at both ends of life. The highest hospitalization rates occurred in children with less than 1 year of age, particularly among residents in poorer neighborhoods. It would be important to evaluate, in the sequence, how many of these findings result inequality in access to public and private services among residents of the neighborhoods, and how this expresses real social inequality in morbidity due to DRS in the different neighborhoods in Porto Alegre.
Assuntos: Hospitalization; Respiratory tract diseases; Social conditions; Porto Alegre

A Mortalidade por Doenças Respiratórias em Porto Alegre é Maior em Áreas da Cidade com Piores Indicadores Sociais
Mortality Due to Respiratory Diseases in Porto Alegre is Higher in City Districts With the Worst Socioeconomic Conditions

Autores: Maria Inês Azambuja; Sérgio Luís Bassanesi Aloyzio Achutti
Indicadores de saúde usuais ainda pouco informam sobre a variabilidade que possa haver entre sub-grupos populacionais. Identificar variações e agir para reduzi-las favoreceria quedas adicionais nos indicadores médios. Este é um estudo ecológico transversal, que compara riscos de morrer por doenças respiratórias (DAR), realizado no período de 2000 a 2004 em 4 estratos geo-sociodemográficos da cidade de Porto Alegre, definidos de forma a representar bairros/populações distribuídos em quartis aproximados de qualidade de vida, medida por 7 indicadores socioeconômicos (SE) selecionados. De 49760 óbitos estudados (96,5% do total), 5116 (10,3%) ocorreram por DAR. O risco de morrer por DAR foi 50, 80 e 130% mais elevado para populações dos estratos 2, 3 e 4, comparadas à do estrato 1 (com melhores indicadores SE). Ponderadas pelo tamanho dos estratos, estas diferenças de risco representaram para o conjunto da cidade um acréscimo de 70% no risco de morrer por DAR atribuível a condições socioeconômicas piores do que as da população de referência, do estrato 1. Transformada em número de óbitos, estimaríamos que 464 (41,4%) de uma média anual de 1117 óbitos não ocorreriam em Porto Alegre, se as condições SE fossem uniformes e semelhantes às do estrato 1. A proporção de óbitos evitada chegaria a 57% no estrato 4. A vulnerabilidade de sub-populações, tanto quanto as exposições a fatores ambientais como patógenos, por exemplo, é determinante dos níveis e distribuição da ocorrência de doenças. Em Porto Alegre, estas populações mais vulneráveis são as residentes nos setores 3 e 4 da Figura 1.
Assuntos: Doenças respiratórias; Mortalidade; Condições sociais; Vulnerabilidade
Common health indicators usually say nothing about variability across population sub-groups. Identifying subgroup variations and acting upon them may lead to additional drops in average death-coefficients. This is a cross-sectional ecological study, which compares risks of dying Diseases of the Respiratory System (RD), carried out during the period 2000-2004 across 4 geo-socio-demographic strata of the city of Porto Alegre. The 4 strata were defined to represent neighborhoods/populations approximately distributed in quartiles of quality of life, measured by 7 ed socioeconomic (SE) indicators. Of 49760 all-cause deaths (96.5% of the 5-year period total deaths), 5116 (10.3%) were due to RD. The risk of dying RD in strata 2, 3 and 4 was respectively 50, 80 and 130% higher, when compared to stratum 1 (corresponding to the highest SE quartile). Standardized by the strata sizes, these differences would represent a 70% increase in RD mortality for the city as a whole, which can be attributed to worse socioeconomic conditions than those of the reference population, of stratum 1. Converting this in number of deaths, we would estimate that 464(41.4%) out of an annual average of 1117 deaths would not have occurred if the whole city shared the SE conditions of its richer neighborhoods. The proportion of avoided deaths would reach 57% in stratum 4. The vulnerability of subpopulations as well as exposures to environmental factor such as pathogenes, for example, is determinant of the levels and the distribution of the occurrence of diseases. In Porto Alegre, the most vulnerable sub-populations are the ones living in sectors 3 and 4 of Figure 1.
Assuntos: Respiratory tract diseases; Mortality; Social conditions; Vulnerability

Influenza Humana e Aviária
Human and Avian Influenza

Autores: Denise Rossato Silva; Paulo de Tarso Roth Dalcin
Os vírus da influenza estão entre as causas mais comuns de infecções respiratórias em humanos e estão associados com alta morbidade e mortalidade, especialmente em crianças, idosos e indivíduos com doenças crônicas. Houve três pandemias de influenza durante o último século e cada uma foi causada pela emergência de um novo vírus. Nos últimos anos, vários surtos de infecção pelo vírus da influenza aviária (H5N1) têm sido relatados, aumentando a preocupação com a disseminação de uma nova e altamente fatal pandemia de influenza. Esta revisão discute a epidemiologia, patogênese, transmissão, manifestações clínicas, diagnóstico, tratamento e prevenção da influenza humana e aviária.
Assuntos: Influenza humana; Influenza aviária; Vírus da influenza A; Vírus da influenza B
Influenza viruses are among the most common causes of respiratory infections in humans, and are associated with high morbidity and mortality, especially in infants, the elderly and people with chronic diseases. There have been three influenza pandemics during the past century and each has been caused by the emergence of a novel virus. In recent years, several outbreaks of avian influenza virus (H5N1) infection have been reported, raising concerns of dissemination of a new and highly lethal influenza pandemic. This review discusses the epidemiology, pathogenesis, transmission, clinical manifestations, diagnosis, treatment, and prevention of human and avian influenza.
Assuntos: Human influenza; Influenza in birds; Influenza A virus; Influenza B virus

Vigilância da Influenza
Influenza Surveillance

Autores: Tani Maria Schilling Ranieri; Marilina Bercini
A influenza (gripe) é uma infecção viral aguda com elevada transmissibilidade e ocorrência mundial. Sua importância deve-se ao seu caráter epidêmico, caracterizado por disseminação rápida e marcada morbidade nas populações atingidas. O vírus influenza é altamente mutável, o que resulta na introdução frequente de novas variantes virais na comunidade, para as quais a população não apresenta imunidade. O Sistema de Vigilância da Influenza no Brasil foi implantado recentemente. Baseia-se em uma estratégia de vigilância sentinela cuja função é monitorar a circulação das cepas nas cinco regiões brasileiras, colaborar na produção da vacina contra a influenza, avaliar o impacto da vacinação contra a doença, detectar, de maneira oportuna, surtos, epidemias e pandemias, e produzir e disseminar informações epidemiológicas. O Rio Grande do Sul conta com três unidades sentinelas, uma na capital e duas no interior do Estado. A vacina é a melhor estratégia disponível para a prevenção das complicações da influenza, proporcionando redução da morbidade, diminuição do absenteísmo no trabalho e dos gastos com medicamentos para tratamento de infecções secundárias. Desde 1999, o Ministério da Saúde assegura vacinação anual contra a Influenza no Brasil, dirigida à população com mais de 65 anos e a alguns grupos considerados de risco tais como presidiários, profissionais de saúde e a população indígena. A vacina contra influenza também está disponível nos Centros de Imunobiológicos Especiais - CRIE para grupos específicos da população.
Assuntos: Influenza humana; Vigilância; Serviços de vigilância epidemiológica; Vacinas contra influenza
Influenza (the flu) is an acute viral infection with a high transmissibility and worldwide incidence. Its importance is due to its epidemical feature which is characterized by the fast and emphasized morbidity among the affected populations. The influenza virus is highly mutable. This leads to a frequent introduction of new viral varieties in a community, against which the population does not have immunity. The Influenza Survellance System in Brazil was recently implemented. It is based on a sentinel warning strategy whose function is to monitor the circulation of strains among the five Brazilian regions, to cooperate with the production of an influenza vaccine, to evaluate the impact of vaccination against the disease, to suitably detect outbreaks, epidemics and pandemics, and to produce and disseminate epidemiological information. Rio Grande do Sul has three sentinel units: one of them in the capital city, and two others in the state. The vaccine is the best strategy available to prevent the influenza complications. It provides the reduction of morbidity, the reduction of work absenteeism, and the decrease of drug expenditures in the treatment of secondary infections. Since 1999, the Ministry of Health assures annual influenza vaccination for individuals over the age of 65 and for some groups considered risk groups, such as convicts, health professionals and the Indian population. The influenza vaccine is also available at Special Immunobiological Centers - SIC for specific groups of the population.
Assuntos: Influenza; human; Surveillance; Epidemiologic surveillance services; Influenza vaccines

Vírus Influenza Detectados no Estado do Rio Grande do Sul Durante 2006 e 2007
Influenza Viruses Detected in the State of Rio Grande do Sul, Brazil, During 2006 and 2007

Autores: Tatiana Schäffer Gregianini; Tatiana Gasperin Baccin; Fernando Couto Motta; Marilda Mendonça Siqueira
Amostras de secreção nasofaríngea de aproximadamente 4% dos casos de síndrome gripal em crianças e adultos foram coletadas em 2006-2007 em três unidades sentinela do Estado do Rio Grande do Sul (Uruguaiana, Caxias do Sul e Porto Alegre). Vírus respiratórios foram detectados em 249 amostras (32%). Destas, 132 foram positivas para influenza A; 20 para influenza B; 39 para vírus sincicial respiratório (VSR); 11 para adenovírus; 12 para parainfluenza do tipo 1, 3 para parainfluenza do tipo 2 e 32 para parainfluenza do tipo 3. A maior circulação dos vírus influenza no biênio ocorreu em julho em 2006, e junho e julho em 2007. O vírus influenza tipo A foi o mais detectado nos dois anos, com circulação concomitante dos subtipos A/H3 e A/H1. O vírus Influenza tipo B circulou mais em 2006 (p=0.004), especialmente em Porto Alegre (p=0.020). O subtipo A/H3 (A/Arizona/4/06-like) circulou em 2006 e duas outras variantes (A/North Carolina/2/07 e A/Guam/AF1043/07) em 2007. As variantes H1 A/Delawere/2/06-like e A/Busan/3/07 circularam em 2006 e 2007, respectivamente. No mesmo período houve cocirculação das linhagens Yamagata (B/Shangai/36/02-like) e Victoria (B/Malaysia/2506/04) do vírus influenza B. Estudos antigênicos, filogenéticos e comportamento sazonal dos subtipos locais são necessários para aprofundar o conhecimento da influenza no país.
Assuntos: Influenza humana; Doenças respiratórias; Rio Grande do Sul
Nasopharyngeal aspirate samples were collected across the whole year approximately 4% of children and adults demanding health care due to acute respiratory syndromes in three respiratory surveillance units of Rio Grande do Sul State (Uruguaiana, Caxias do Sul and Porto Alegre). Respiratory viruses were identified in 249 samples (32%). Of these, 132 were influenza A; 20, influenza B; 39, respiratory syncytial viruses (RSV); 11, adenoviruses; 12, parainfluenza type 1; 3, parainfluenza type 2 and 32 parainfluenza type 3. The highest influenza activity occurred in July 2006 and June-July 2007. Influenza A viruses predominated in both years, with concomitant circulation of subtypes A/H3 and A/H1. Influenza B showed higher circulation in 2006 compared to 2007 (p=0.004), especially in Porto Alegre (p=0.020). The A/H3 subtype (A/Arizona/4/06-like) circulated in 2006 and two other variants (A/North Carolina/2/07 and A/Guam/AF1043/07) in 2007. The A/H1 variants A/Delawere/2/06-like and A/Busan/3/07 circulated in 2006 and 2007, respectively. In the same period there was co-circulation of the Yamagata (B/Shangai/36/02-like) and Victoria (B/Malaysia/2506/04) lineages of the influenza B viruses. Antigenic, phylogenetic and seasonality studies of the local subtypes are necessary to better understand the influenza in the country.
Assuntos: Influenza human; Respiratory tract diseases; Rio Grande do Sul

Influenza e a Co-Evolução da Morbi-Mortalidade por Doenças Respiratórias e Cardiovasculares no Rio Grande do Sul
Influenza and the Co-Evolution of the Morbimortality Due to Respiratory and Cardiovascular Diseases in Rio Grande do Sul

Autores: Maria Inês Azambuja
Introdução: As tendências seculares na mortalidade por doenças do aparelho respiratório (DAR) e doença isquêmica do coração (DIC) divergiram sempre ao longo dos últimos 100 anos, e entrecruzaram-se algumas vezes em anos de importantes epidemias de Influenza: Nos EUA, ao redor de 1900, a mortalidade por Influenza e a por doenças do coração tem níveis similares. A partir da Pandemia de 1918-19 a mortalidade por DIC aumenta e a por DAR diminui; depois da Pandemia de 1968, a mortalidade por DIC cai e a por DAR aumenta, até 1996-8, quando nova mudança de direção nas tendências parece ter-se iniciado. Métodos: Este é um estudo descritivo da co-evolução temporal da mortalidade e da morbidade hospitalar por DAR e IAM em homens maiores e menores de 60 anos no Estado do Rio Grande do Sul. Resultados: Depois de 1998, a mortalidade por DAR, nos mais velhos, que aumentava, estabiliza-se, e a nos mais jovens, que era estável, cai. As hospitalizações por DAR também caem entre 1998 e 2008. As internações por IAM e todas as doenças do aparelho circulatório aumentam e aparentemente compensam as quedas na linha de base e nos picos sazonais de hospitalização por DAR, mais marcadamente em anos dominados por virus H1 e B. Conclusões: Sugere-se que ocorrências de IAM e internações por doenças cardiovasculares passem a compor, com as DAR, o sistema de vigilância epidemiológica da Influenza, que pode estar tendo repercussão bem maior na morbi-mortalidade populacional do que a estimada pela ocorrência de DAR.
Assuntos: Epidemiologia; Doenças cardiovasculares; Doenças respiratórias; Influenza humana.
Introduction: Secular trends in mortality due to respiratory (RD) and coronary heart diseases (CHD) have always diverged along the last 100 years and changed directions a few times in years of important influenza pandemics. In the USA, around 1900, the mortality due to Influenza and to heart diseases had similar levels. Following the 1918-19 pandemic, RD mortality decreased and CHD mortality increased. After the 1968 Pandemic, CHD mortality decreased and RD increased. Since 1996-1998, a new turnaround in those trends seems to be occurring. Methods: This is a descriptive study of the coevolution of RD and IHD mortality and hospital morbidity trends in males, 60 years and older and less than 60 years, residents in the State of Rio Grande do Sul, Brazil. Results: After 1996-1998, the RD mortality which was increasing until then in the older age strata, stabilizes. In the younger strata, rates that remained stable until then subtly decline. Hospitalizations due to RD decline 1998 to 2008 too. Hospitalizations due to CHD and all cardiovascular diseases increase, and seem to compensate in numbers the baseline and seasonal declines in RD hospitalizations, particularly in years with predominant H1 and B influenza virus circulation. Conclusions: It is suggested that myocardial infarction and other cardiovascular and chronic immune-inflammatory conditions should be incorporated to influenza surveillance programs. Influenza may have a much stronger effect upon morbi-mortality levels and trends than the one anticipated, based on its respiratory burden.
Assuntos: Epidemiology; Cardiovascular diseases; Respiratory tract diseases; Influenza, human.

Plano para Enfrentamento de Pandemia de Influenza do Estado do Rio Grande do Sul
Preparedness Plan for the Influenza Pandemic in the State of Rio Grande do Sul

Autores: Marilina A. Bercini; Tani Maria S. Ranieri
Desde o final de 2003, a Organização Mundial da Saúde vem alertando o mundo sobre o risco de pandemia de influenza em função da transmissão de vírus aviário A/H5N1 para seres humanos em países com ocorrência de epizootias em plantéis avícolas comerciais e não comerciais. Até dezembro de 2008, foram relatados 390 casos e 246 óbitos (letalidade de 63,1%). Em função dessa alta letalidade, justifica-se o temor de que possam ocorrer muitos casos e óbitos caso o vírus consiga sofrer mutações que permitam uma eficiente transmissão de pessoa a pessoa. Na região das Américas, até o momento, ainda não foram registrados casos de influenza aviária, tanto nos animais como entre a população humana. Neste artigo descreve-se a situação atual deste problema no Brasil e no mundo, a organização das principais ações preventivas nas áreas de saúde animal e humana e as medidas necessárias para o enfrentamento do problema no Estado do Rio Grande do Sul em forma de Plano de Enfrentamento de Pandemia de Influenza.
Assuntos: Influenza aviária; Surtos de doenças; Prevenção de doenças transmissíveis
Since the end of 2003, the World Health Organization has been warning the world about the risk of the influenza pandemic based on the transmission of the avian virus A/H5N1 to human beings, in countries with the occurrence of epizootic diseases in industrial and domestic poultry farms. Until December 2008, 390 cases and 246 deaths (63.1% lethality) were reported. Due to this high lethality, the fear of the occurrence of many cases and deaths, should the virus undergo mutations that allow the transmission person to person, is justified. No cases of avian influenza have been registered until now in the region of the Americas, neither in animals nor among the human population. This paper describes the present situation of this problem in Brazil and in the world, the organization of the main preventive actions in the animal and human health areas, and the necessary measurements to confront the problem in the State of Rio Grande do Sul as a Preparedness Plan for the Influenza Pandemic.
Assuntos: Influenza in birds; Disease outbreaks; Communicable disease prevention

A História de Uma Epidemia : A "Hespanhola" em Porto Alegre, 1918
The History of an Epidemic: The "Hespanhola" in Porto Alegre, 1918

Autores: Janete Abrão
Este estudo se propõe, através de um diálogo entre História e Medicina, analisar a trajetória da gripe epidêmica e suas implicações na economia, na política, nos conhecimentos médicos, nas atividades cotidianas, nos comportamentos coletivos da época e nas condições sanitárias em que vivia a população de Porto Alegre em 1918.
Assuntos: Influenza humana; Saúde pública/história; Porto Alegre
This study is intended at analyzing, through a dialogue between History and Medicine, the trajectory of the epidemic influenza and its implications on the economy, on politics, on the medical knowledge, on the daily activities, on the collective behaviors of that time and the sanitary conditions in which the population of Porto Alegre lived in 1918.
Assuntos: Influenza human; Public health/history; Porto Alegre

Artigo Histórico
Historic Article

APRESENTAÇÃOEm 1957 o primeiro vírus da pandemia de gripe asiática identificado no Brasil foi de uma amostra coletada em Uruguaiana em 15 de Agosto de 1957, e processada aqui no Estado pela equipe do Dr. Newton Neves da Silva, do então Instituto de Pesquisas Biol&o ...

Dados Epidemiológicos e Sorológicos Sobre a Incidência da Gripe Asiática em Porto Alegre*
Epidemiological and Serological Data on the Incidence of the Asian Flu in Porto Alegre

Autores: Newton Neves da Silva
O surto da denominada "Gripe Asiática" atingiu Porto Alegre na segunda quinzena de agosto de 1957, alcançando o clímax no período de 20 a 30 de setembro. Um levantamento domiciliar mostrou que 34% da população, cerca de 170 000 pessoas, adoeceu de influenza. Um inquérito sorológico realizado em 1 201 amostras de sangue, durante e após a epidemia, usando a prova de inibição da hemaglutinação, mostrou que 54% da população foi infectada pelo vírus, tendo portanto 20% dos habitantes feito uma forma frusta, inaparente, da moléstia.
Assuntos: Influenza humana; Estatísticas de saúde; Porto Alegre
The outbreak of the so-called "Asian Influenza" hit Porto Alegre during the second half of August 1957, and reached the climax during the period of September 20 to September 30. A survey per household showed that 34%, ca. 170 000 people, caught influenza. A serological enquiry carried out with 1 201 blood samples, during and after the epidemic, using the haemagglutination inhibition test, showed that 54% of the population was infected by the virus, meaning that 20% of the inhabitants had a frustrated, non-apparent form of the disease.
Assuntos: Influenza human; Health statistics; Porto Alegre
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Boletim de Saúde - ESP/RS